Mulher trabalhando em posto com mesa regulável, cadeira ergonômica e monitor elevado, em escritório com luz natural.

O que é ergonomia no trabalho? Exemplos e limites

Ergonomia no trabalho é a adaptação do trabalho às características, capacidades e limitações das pessoas. Ela considera o mobiliário, as ferramentas, as exigências mentais e a organização das tarefas, dos horários e das pausas.

Medidas ergonômicas podem contribuir para reduzir riscos e desconfortos, mas não garantem ausência de lesões. Também não substituem a avaliação das condições de trabalho nem o atendimento de saúde.

Em resumo:

  • Ergonomia envolve adaptar o trabalho às pessoas, além de ajustar mesa, cadeira e postura.
  • As dimensões física, cognitiva e organizacional consideram o corpo, os processos mentais e a organização das atividades.
  • Cadeira ajustável, ferramentas adaptadas, rotação de tarefas e políticas de intervalos são exemplos ligados à ergonomia.
  • Reduzir riscos não significa eliminar riscos ou dispensar avaliação do trabalho e atendimento de saúde.

Adaptar ambientes e tarefas às pessoas

A definição de ergonomia apresentada pela Colebrook Bosson Saunders descreve o estudo das interações entre pessoas, ambientes e objetos, com o objetivo de adaptar espaços e ferramentas às necessidades e capacidades humanas.

O fabricante também apresenta dois conceitos que ajudam a entender essas adaptações: a antropometria, estudo das medidas e proporções do corpo para projetar espaços e ferramentas, e a biomecânica, análise dos movimentos e das posturas corporais para minimizar o esforço físico.

No contexto do trabalho, o fisioterapeuta Tiago Marchese destaca a adaptação às características psicofisiológicas dos trabalhadores em sua explicação sobre ergonomia e sua importância. Isso inclui características físicas e psicológicas: o conceito não se limita às medidas do corpo ou à posição de uma cadeira.

A mesma ideia aparece na Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), do Ministério do Trabalho e Emprego, referência sobre ergonomia no Brasil. Na redação dada pela Portaria MTP nº 423/2021, a norma estabelece diretrizes e requisitos para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Essas condições incluem o transporte de cargas, o mobiliário, as máquinas e ferramentas manuais, o conforto do ambiente e a própria organização do trabalho.

Ergonomia não é só postura, mesa e cadeira

O ajuste do mobiliário faz parte da ergonomia, mas não resume seu alcance. O ergonomista Thiago Lorenzi chama atenção para essa associação limitada em seu artigo sobre ergonomia além do ajuste de mesa e cadeira.

Uma ferramenta manual, por exemplo, tem características de empunhadura que também entram nessa discussão. Em atividades com computadores, há processos mentais envolvidos na percepção de informações e na tomada de decisões. Horários, duração das tarefas e políticas de intervalos completam esse olhar sobre o trabalho.

Por isso, uma conversa sobre ergonomia precisa considerar tanto os recursos usados quanto as exigências da atividade. Concentrar toda a atenção na postura deixa de fora os aspectos cognitivos e organizacionais.

As três dimensões: física, cognitiva e organizacional

Mulher sentada à mesa com caderno, teclado e monitor, enquanto colegas conversam diante de um quadro com notas adesivas ao fundo.

O panorama da Menvie sobre ergonomia no trabalho reproduz a definição da International Ergonomics Association (IEA), que relaciona a ergonomia à compreensão das interações entre pessoas e outros elementos de um sistema, buscando otimizar o bem-estar humano e o desempenho desse sistema.

A Menvie também atribui à IEA a classificação geral em três vertentes: física, cognitiva e organizacional. As descrições e os exemplos abaixo seguem essa apresentação. Na linha cognitiva, os exemplos indicam aspectos a avaliar, não uma intervenção pronta.

Dimensões da ergonomia e exemplos ligados ao trabalho
Dimensão O que considera Recursos ou aspectos a avaliar
Física Características do corpo, amplitude dos movimentos e sobrecarga biomecânica, relacionada aos esforços e às posturas. Cadeira com apoio lombar ajustável, mesa regulável, suporte para monitor e pegador com cabo anatômico.
Cognitiva Processos mentais, como percepção, tomada de decisão, interação humano-computador e gerenciamento da carga de trabalho. Carga mental e interação com sistemas, conforme as exigências da tarefa.
Organizacional Políticas, processos de trabalho e trabalho em equipe. Horários, duração das tarefas, políticas de intervalos, rotação de tarefas e micropausas.

Exemplos práticos de adaptação

Ajuste manual da regulagem de encosto lombar de cadeira de escritório em posto com teclado e mouse ergonômicos.

Mobiliário e ferramentas

Entre os recursos descritos pela Menvie estão:

  • cadeira com apoio lombar e altura ajustáveis;
  • apoio para os pés e mesa com altura regulável;
  • suportes para monitor e documentos;
  • mouse e teclado com desenho adaptado;
  • descanso de punho e headset;
  • pegador com cabo anatômico.

São exemplos de recursos, não uma lista de compras válida para qualquer função. A seleção, o ajuste e o uso precisam considerar a pessoa e as exigências da tarefa. A Menvie recomenda treinamento para selecionar, ajustar e usar esses recursos e aponta que consultores ergonomistas podem ajudar a identificar soluções adequadas ao setor e às atividades.

A mesma publicação cita esforços vigorosos, posturas inadequadas e constantes, movimentos repetitivos, pressão de contato, empunhadura mal desenhada e vibração localizada como fatores de risco para os tecidos musculoesqueléticos, que incluem músculos, tendões e articulações. A presença de um desses fatores não permite, por si só, identificar a causa de um sintoma.

Organização das atividades

As adaptações também envolvem a forma como o trabalho é organizado. Entre os aspectos citados pela Menvie estão:

  • revisão de horários e da duração das tarefas, conforme as características da atividade;
  • políticas de intervalos;
  • rotação de tarefas e micropausas;
  • trabalho em equipe.

Segundo a Menvie, a rotação de tarefas e a incorporação de micropausas podem aliviar a repetição. A adequação dessas medidas exige considerar a atividade; esses exemplos não definem a duração ou a frequência dos intervalos para cada trabalhador.

O que a ergonomia pode e não pode garantir

A Menvie aponta que a aplicação de princípios ergonômicos pode contribuir para reduzir distúrbios musculoesqueléticos. Isso não equivale a garantir ausência de dor ou lesão, mesmo em um posto ajustado.

A avaliação das condições de trabalho ajuda a identificar mudanças adequadas à tarefa. Pela NR-17, a organização deve fazer uma avaliação ergonômica preliminar das situações de trabalho que demandam adaptação e, nos casos previstos na norma, uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET), garantindo que os empregados sejam ouvidos nesse processo. Uma lista genérica de equipamentos não substitui essa avaliação, assim como orientações educativas não substituem o atendimento individual de saúde.

Para trabalhadores, gestores e profissionais de RH, algumas perguntas ajudam a organizar uma conversa sobre o ambiente e a rotina:

  • Quais tarefas envolvem repetição, esforço ou posturas mantidas por muito tempo?
  • Quais ajustes o mobiliário e as ferramentas oferecem para pessoas diferentes?
  • Existem intervalos, rotação de tarefas ou micropausas previstos?
  • Houve orientação sobre como ajustar e usar os recursos?
  • Há avaliação das condições de trabalho para essas atividades, e quem a conduz?

Essas perguntas servem para levar observações à empresa, não para fazer uma autoavaliação técnica. Elas também não pressupõem que o trabalhador consiga resolver sozinho os problemas identificados.

Quando o desconforto persiste: apoio à saúde do trabalhador

Se o desconforto se repete ou não passa, procure um profissional de saúde para avaliação. O atendimento individual e a avaliação das condições de trabalho têm funções distintas: um não substitui o outro.

Como apoio complementar ao acesso a consultas, o Quero Card, cartão de benefícios de saúde, informa oferecer consultas e telemedicina conforme as condições da assinatura contratada. Segundo a própria marca, não é plano de saúde. Esse apoio não substitui a avaliação das condições de trabalho feita pela empresa.

Perguntas frequentes

Quais são os 3 princípios da ergonomia?

Física, cognitiva e organizacional são três vertentes usadas para explicar a ergonomia, não três princípios fixos. A Colebrook Bosson Saunders, por exemplo, organiza seus princípios em quatro itens: antropometria, biomecânica, ergonomia cognitiva e ergonomia organizacional.

Quais são alguns exemplos de ergonomia organizacional?

Horários de trabalho, duração das tarefas, políticas de intervalos, rotação de tarefas e micropausas são exemplos apresentados pela Menvie. O trabalho em equipe também faz parte dessa dimensão.

Que problemas de saúde são mencionados ao falar de ergonomia?

A Menvie cita síndrome do túnel do carpo, tendinite, dor lombar, síndrome do pescoço tenso e dedo branco por vibração como exemplos de distúrbios musculoesqueléticos. A lista não identifica a causa de um sintoma nem permite fazer um diagnóstico; cada caso precisa de avaliação de saúde.

Ergonomia é só ajustar mesa e cadeira?

Não. O mobiliário faz parte da dimensão física. A ergonomia também considera processos mentais envolvidos na atividade e a organização do trabalho, incluindo horários, duração das tarefas e intervalos.

Qual é a diferença entre ergonomia física, cognitiva e organizacional?

A física considera características do corpo, movimentos e esforços. A cognitiva considera processos mentais, como percepção e tomada de decisão. A organizacional considera políticas, processos de trabalho e trabalho em equipe.

Medidas de ergonomia eliminam o risco de lesões?

Não. Elas podem contribuir para reduzir riscos e desconfortos, mas não garantem ausência de lesões. Também não substituem a avaliação das condições de trabalho nem o atendimento de saúde.

Reconhecer o que precisa de adaptação no trabalho

Entender ergonomia significa olhar para o corpo, as exigências mentais e a organização das atividades. Uma cadeira ajustável é um exemplo de recurso; horários, ferramentas e processos também entram nessa análise.

O próximo passo é levar observações concretas à empresa e conversar sobre a avaliação das condições de trabalho. Diante de desconforto persistente, busque atendimento de saúde. As adaptações podem contribuir para reduzir riscos, sem oferecer garantia de ausência de lesões.


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